quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Escola da Ponte

Edição 171 | Abril 2004
José Pacheco e a Escola da Ponte
O educador português conta como é a Escola da Ponte, em que não há turmas, e diz que quem quer inovar deve ter mais interrogações que certezas
Cristiane Marangon
José Pacheco não é o primeiro — e nem será o último — a desejar uma escola que fuja do modelo tradicional. Ao contrário de muitos, no entanto, o educador português pode se orgulhar por ter transformado seu sonho em realidade. Há 28 anos ele coordena a Escola da Ponte. Apesar de fazer parte da rede pública portuguesa, a escola de ensino básico, localizada a 30 quilômetros da cidade do Porto, em nada se parece com as demais.
A Ponte não segue um sistema baseado em seriação ou ciclos e seus professores não são responsáveis por uma disciplina ou por uma turma específicas. As crianças e os adolescentes que lá estudam — muitos deles violentos, transferidos de outras instituições — definem quais são suas áreas de interesse e desenvolvem projetos de pesquisa, tanto em grupo como individuais.

A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares. É fácil prever que problemas de adaptação acontecem. Há professores que vão embora e alunos que estranham tanta liberdade. Nada, no entanto, que faça a equipe desanimar.

O sistema tem se mostrado viável por pelo menos dois motivos: primeiro, porque os educadores estão abertos a mudanças; segundo, porque as famílias dos alunos apóiam e defendem a escola idealizada por Pacheco.

Quando jovem, esse educador de fala mansa não pensava em lecionar. Queria ser engenheiro eletrônico. Mas uma questão o inquietava: por que a escola ainda reproduzia um modelo criado há 200 anos? Na busca por uma resposta, se apaixonou pelo magistério. "Percebi que na engenharia teria menos a descobrir, enquanto na educação ainda estava tudo por fazer." Desse "tudo" de que tem se incumbido o professor Zé, como gosta de ser chamado, é que trata a entrevista a seguir, concedida à ESCOLA em São Paulo.

A Escola da Ponte é bem diferente das tradicionais. Como ela funciona?
JOSÉ PACHECO Lá não há séries, ciclos, turmas, anos, manuais, testes e aulas. Os alunos se agrupam de acordo com os interesses comuns para desenvolver projetos de pesquisa. Há também os estudos individuais, depois compartilhados com os colegas. Os estudantes podem recorrer a qualquer professor para solicitar suas respostas. Se eles não conseguem responder, os encaminham a um especialista.

Existem salas de aula?
PACHECO Não há salas de aula, e sim lugares onde cada aluno procura pessoas, ferramentas e soluções, testa seus conhecimentos e convive com os outros. São os espaços educativos. Hoje, eles estão designados por área. Na humanística, por exemplo, estuda-se História e Geografia; no pavilhão das ciências fica o material sobre Matemática; e o central abriga a Educação Artística e a Tecnológica.

A arquitetura mudou para acompanhar o sistema de ensino?
PACHECO Não. Aliás, isso é um problema. Nosso sonho é um prédio com outro conceito de espaço. Temos uma maquete feita por 12 arquitetos, ex-alunos que conhecem bem a proposta da escola. Esse projeto inclui uma área que chamo de centro da descoberta, onde compartilharemos o que sabemos. Há também pequenos nichos hexagonais, destinados aos pequenos grupos e às tarefas individuais. Estão previstas ainda amplas avenidas e alguns cursos d'água, onde se possa mergulhar os pés para conversar, além de um lugar para cochilar. As novas tecnologias da informação devem estar espalhadas por todos os lados para ser democraticamente utilizadas pela comunidade, o que já conseguimos.

Os professores precisam de formação específica para lecionar lá?
PACHECO Não. Eles têm a mesma formação que os de outras instituições. O diferencial é que sentem uma inquietação quanto à educação e admitem existir outras lógicas. Nossa escola é a única no país que pode escolher o corpo docente. Os candidatos aparecem geralmente como visitantes e perguntam o que é preciso para dar aulas lá. Digo apenas para deixarem o nome. No fim de cada ano fazemos contato. Hoje somos 27, cada um com suas especializações.

Como os novos professores se adaptam à proposta da escola?
PACHECO Há profissionais que estiveram sozinhos em sala durante anos e quando chegam constatam que sua formação e experiência servem para nada. De cada dez que entram, um não agüenta. Outros desertam e regressam depois. Mas nós também, por vezes, temos que nos adaptar. Há dois anos recebemos muitas crianças e professores novos, não familiarizados com a nossa proposta. Apenas a quinta parte do corpo docente já estava lá quando isso aconteceu. Passamos a conviver com mestres que sabiam dar aula e estudantes que sabiam fazer cópias. Foi necessário dar dois ou três passos para trás para que depois caminhássemos todos juntos. Precisamos aceitar o que os outros trazem e esperar que eles acreditem em nossas idéias. Essa é a terceira vez que passamos por isso.

Qual o perfil dos alunos atendidos pela Escola da Ponte?
PACHECO Eles têm entre 5 e 17 anos. Cerca de 50 (um quarto do total) chegaram extremamente violentos, com diagnósticos psiquiátricos e psicológicos. As instituições de inserção social que acolhem crianças e jovens órfãos os encaminham para as escolas públicas. Normalmente eles acabam isolados no fundo da classe e, posteriormente, são encaminhados para nós. No primeiro dia, chegam dando pontapés, gritando, insultando, atirando pedras. Algum tempo depois desistem de ser maus, como dizem, e admitem uma das duas hipóteses: ser bom ou ser bom.

Como os estudantes vindos de outras escolas se integram a um sistema tão diferente?
PACHECO Não é fácil. Há crianças e jovens que chegam e não sabem o que é trabalhar em grupo. Não conhecem a liberdade, e sim, a permissividade. Não sabem o que é solidariedade, somente a competitividade. São ótimos, mas ainda não têm a cultura que cultivamos. Quando deparam com a possibilidade de definir as regras de convivência que serão seguidas por todos ou não decidem nada ou o fazem de forma pouco ponderada. Em tempos de crise, como agora, em que muitos estão nessa situação, precisamos ser mais diretivos. Só para citar um exemplo, recebemos um garoto de 15 anos que tinha agredido seu professor e o deixado em estado de coma. Como um jovem assim pode, de imediato, participar da elaboração de um sistema de direitos e deveres?

A escola nem sempre seguiu uma proposta inovadora. Como ocorreu a transformação?
PACHECO Até 1976, a escola era igual a qualquer outra de 1ª a 4ª série. Cada professor ficava em sua sala, isolado com sua turma e seus métodos. Não havia comunicação ou projeto comum. O trabalho escolar era baseado na repetição de lições, na passividade. Naquele ano, havia três educadores e 90 estudantes. Em vez de cada docente adotar uma turma de 30, juntamos todos. Nosso objetivo era promover a autonomia e a solidariedade. Antes disso, porém, chamamos os pais, explicamos o nosso projeto e perguntamos o que pensavam sobre o assunto. Eles nos apoiaram e defendem o modelo até hoje.

Qual é a relação dos pais com a escola?
PACHECO Eles participam conosco de todas as decisões. Se nos rejeitarem, teremos de procurar emprego em outro lugar. Também defendem a escola perante o governo. Neste momento, os pais estão em conflito com o Ministério da Educação. Ao longo desses quase 30 anos, quiseram acabar com nosso projeto. Eu, como funcionário público, sigo um regime disciplinar que me impede de tomar posições que transgridam a lei, mas o ministro não tem poder hierárquico sobre as famílias. Portanto, se o governo discordar de tudo aquilo que fazemos, defronta-se com este obstáculo: os pais. Eles são a garantia de que o projeto vai continuar.

Como sua escola é vista em Portugal?
PACHECO Há uma grande resistência em aceitar o nosso modelo, que é baseado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Algumas pessoas consideram que todos precisam ser iguais e que ninguém tem direito a pensamento e ação divergentes. Há quem rejeite a proposta por preconceito, mas isso nós compreedemos porque também temos os nossos. A diferença é que nós nunca colocamos em cheque o trabalho dos outros. Consideramos que quem nos ataca faz isso porque não foi nosso aluno e não aprendeu a respeitar o ponto de vista alheio.

Qual é o segredo de sucesso da proposta seguida pela Ponte?
PACHECO Nós acreditamos que um projeto como o nosso só é viável quando todos reconhecem os objetivos comuns e se conhecem. Isso não significa apenas saber o nome, e sim ter intimidade, como em uma família. É nesse ponto que o projeto se distingue. O viver em uma escola é um sentimento de cumplicidade, de amor fraterno. Todos que nos visitam dizem que ficam impressionados com o olhar das pessoas que ali estão, com o afeto e a palavra terna que trocam entre si. Não sei se estou falando de educação ou da minha escola, mas é isso o que acontece lá.

O modelo da Escola da Ponte pode ser seguido por outras escolas?
PACHECO Não defendo modelos. A Escola da Ponte fez o que as outras devem e podem fazer, que é produzir sínteses e não se engajar em um único padrão. Não inventamos nada. Estamos em um ponto de redundância teórica. Há muitas correntes e quem quer fazer diferente tem de ter mais interrogações do que certezas. Considero que na educação tudo já está inventado. A Escola da Ponte não é duplicável e não há, felizmente, clonagem de projetos educacionais.

Hoje a escola pode funcionar sem o senhor?
PACHECO Fui e continuo sendo um intermediário. Não tenho mérito por isso, apenas cumpro a minha missão. Vou me afastar dentro de um ano e estou amargamente antecipando essa despedida. Todo pai tem de deixar o filho andar por si próprio e, nesse momento, a Ponte caminha sozinha. Depois quero continuar desassossegando os espíritos em lugares onde há gente generosa, que só precisa de um louco com a noção da prática, como eu. Agora ninguém pode dizer que uma experiência como a da Escola da Ponte não aconteceu, porque ela existe e provamos que é possível.

Quer saber mais?
A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir, Rubem Alves, 120 págs., Ed. Papirus, tel. (19) 3272-4500, 22 reais

Quando Eu For Grande, Quero Ir à Primavera, José Pacheco, 109 págs., Ed. Didática Suplegraf, tel. (11) 6941-0599, 19,60 reais

Sozinhos na Escola, José Pacheco, 115 págs., Ed. Didática Suplegraf, 19,90 reais




Ainda faço um TCC sobre esse assunto!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Piquenique


Tem coisa melhor do que um piquenique na segunda-feira a tarde?! Foi um convite inesperado de uma princesinha de 5 anos e que encheu de alegria a minha tarde!

Vale a pena!
Tai a dica pra essa semana! Faça um pequinique com pessoas que você gosta e divirta-se bastante!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre o calo e minha fugida pra cantar

Nesse domingo (13/02) ousei cantar com a Cleude, que por sinal é dona de uma voz lindíssima!

Ano passado, por conta de dar muitas aulas, desenvolvi um calo nas pregas vocais e isso me deixou muito triste... :(

Ainda não tive condições $ pra tratar. Mas tenho poupado a voz e seguido os conselhos da minha prima que é otorrino e tem cuidado de mim.

Tá certo que minha extensão vocal caiu bastante, mas isso não impede que eu fique feliz e realizada quando canto.

Dá uma olhadinha na minha fugida desobediente de cantar com calo! hehe! (deveria estar em repouso vocal)



Calo - O que são? 
Um espessamento em determinado ponto das cordas vocais causando, na maioria das vezes, irregularidade nas suas laterais.

Causas: Apesar de ainda não estar esclarecido por que algumas pessoas, em condições semelhantes, desenvolvem e outras não, é certo que os calos surgem pelo uso inadequado da voz. Quando respiramos, as cordas vocais se afastam e, quando falamos, se aproximam. O impacto de uma prega na outra e gera os nódulos. 

Consequências:
  • Disfonia (rouquidão) prolongada;
  • Dor e sensação de fadiga na região da garganta;
  • A voz começa a sumir depois de algum tempo falando;
  • A pessoa não chega a perder totalmente a voz.
 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Not One Less

Vale muito a pena assistir a esse filme! Com certeza ainda quero comenta-lo com mais calma por aqui, e quem sabe juntos, eu e você, iniciaremos um debate gostoso sobre a Educação Brasileira?

Quando o professor da escola primária de Shuiquan tem de se ausentar durante um mês, o presidente da pequena aldeia, Tian, apenas consegue encontrar uma adolescente de 13 anos, Wei Minzhi, para o substituir. O professor Gao adverte-a para que não permita que mais alunos abandonem a escola, garantindo-lhe o pagamento de 50 yuan e mais um pequeno extra se for bem sucedida. Minzhi, pouco mais velha que alguns dos seus alunos (do 1º ao 4º ano, na mesma classe), pouco mais pode fazer do que escrever texto no quadro e ensinar uma ou outra canção. Mal a jovem professora se estreia, uma pequena aluna é convidada a ingressar numa escola de desporto e, quase de imediato, Huike, um dos miúdos mais difíceis de controlar nas aulas, é obrigado a ir trabalhar para a cidade, pois vive só com a mãe, que está doente e imersa em dívidas. Minzhi recusa-se a perder outro aluno. 
Adaptado por Shi Shiangsheng do seu livro



Em busca do conceito de justiça #1


Ontem no ônibus lotado, num calor exorbitante ao meio dia entrou uma mulher mulçumana

Pensei: Isto é injusto!!!

Será que este mesmo fato também é injusto para aquela mulher?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Você é um analfabeto político?

Hoje tivemos aula da famosa POEB (Políticas Públias e Organização da Educação Básica)

A professora é nota 10! Conhecida como a Poebinha! há! 

Ela nos instigou sobre ser um Analfabeto Político e nos fez pensar. Eis o texto que ela usou:



O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo da vida,
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

Bertold Brecht

E você? É um analfabeto político?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Confissão

 
Tão sem graça era a vida até o dia em que eu te encontrei
Tudo ganhou forma, rima, cores, luzes, com você 
E sem pedir você sorriu e veio a mim 
Tomou meus pensamentos e me conduziu até aqui
Pra confessar pra todo mundo meus desejos

Sem reservas, sem medidas, 
Hoje entrego tudo o que é meu:
Corpo e alma, voz e vida, mãos e lábios
Tudo é seu!
 
E hoje eu vim dizer que sim, que "tô afim".
E topo qualquer coisa pra te ver feliz.
Já decidi, vai ser assim até os dias de velhinhos!
 
Tomo Deus por testemunha aqui
Pra te dizer que o céu é pouco pra expressar 
O quanto eu AMO VOCÊ!


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O início

O primeiro dia de aula gera sempre uma expectativa e dessa expecativa gera até um friozinho na barriga, não é?

O meu primeiro dia de aula foi ótimo! No Granbery me sinto em casa! É como reviver uma vida inteira! É reviver as amizades, as brincadeiras, as antigas professoras, o refrigerante de tutifrut na cantina (é qdo o moço colocava um pouquinho de cada um da máquina) era o maior sucesso! Vivi tantos momentos bons nesse lugar que não tinha como ser diferente. Me sinto em casa!

Instituto Metodista Granbery

Fomos muito bem recebidos! Tudo bem explicado, organizado. Em sala de aula recebemos o carinho da nossa coordenadora com uma mesa de salgadinhos e refrigerante. Quanto mimo! 

Conversamos bastante, cada uma pode contar um pouco da sua vida, como chegou até a Pedagogia...e eram aquelas 32 mulheres que havia dito no post anterior! 

Para a nossa surpresa, ontem, no segundo dia, nos apareceu um homem!!!! Um único homem no meio dessas 32 mulheres!!! Tadinho...estou com pena dele...vai sofrer!!! Isso é fato!!! hahaha

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Pedagogia


Estou um tanto empolgada com essa história de ser Pedagoga! E escrevo com "P" maiúsculo que é para dar ênfase e honra a uma profissão tão nobre!

Amanhã é meu primeiro dia de aula e isso me deixa anciosa por dois motivos:

1) Enfim começa uma nova jornada. Toda mudança, começo, é emocionante.

2) Minha sala de aula tem apenas 32 MULHERES!!!! Isso seria a ante sala do inferno ou o próprio hades?

Você consegue imaginar 32 mulher juntas, cercada entre quatro paredes? Todas falando ao mesmo tempo? Ai meu Deus!!! Me proteja! hauhuahahuahua! Por isso é que eu gosto de HOMENS!!! há! :)

Elucubrações à parte, hoje resolvi (re)ler o conceito de Pedagogia que achei na tia Wikipédia. Ei-lo aqui:

  • Origem
A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga, paidós (criança) e agogé (condução). No decurso da história do Ocidente, a Pedagogia firmou-se como correlato da educação. Entretanto, a prática educativa é um fato social, cuja origem está ligada à da própria humanidade. A compreensão do fenômeno educativo e sua intervenção intencional fez surgir um saber específico que modernamente associa-se ao termo pedagogia. Assim, a indissociabilidade entre a prática educativa e a sua teorização elevou o saber pedagógico ao nível científico. Com este caráter, o pedagogo passa a ser, de fato e de direito, investido de uma função reflexiva, investigativa e, portanto, científica do processo educativo. Autoridade que não pode ser delegada a outro profissional, pois o seu campo de estudos possui uma identidade e uma problemática própria. A história levou séculos para conferir o status de cientificidade à atividade dos pedagogos apesar de a problemática pedagógica estar presente em todas as etapas históricas a partir da Antiguidade. O termo pedagogo, como é patente, surgiu na Grécia Clássica, da palavra παιδαγωγός cujo significado etimológico é preceptor, mestre, guia, aquele que conduz; era o escravo que conduzia os meninos até o paedagogium . No entanto, o termo pedagogia, designante de um fazer escravo na Hélade, somente generalizou-se na acepção de elaboração consciente do processo educativo a partir do século XVIII, na Europa Ocidental.

Atualmente, denomina-se pedagogo o profissional cuja formação é a Pedagogia, que no Brasil é uma graduação e que, por parte do MEC - Ministério da Educação e Cultura, é um curso que cuida dos assuntos relacionados à Educação por excelência, portanto se trata de uma Licenciatura, cuja grade horário-curricular atual estipulada pelo MEC confere ao pedagogo, de uma só vez, as habilitações em educação infantil, ensino fundamental, educação de jovens e adultos, coordenação educacional, gestão escolar, orientação pedagógica, pedagogia social e supervisão educacional, sendo que o pedagogo também pode, em falta de professores, lecionar as disciplinas que fazem parte do Ensino Fundamental e Médio, além se dedicar à área técnica e científica da Educação, como por exemplo, prestar assessoria educacional. Devido a sua abrangência, a Pedagogia engloba diversas disciplinas, que podem ser reunidas em três grupos básicos: disciplinas filosóficas, disciplinas científicas e disciplinas técnico-pedagógicas.

  • Objeto de Estudo

O pedagogo não possui quanto ao seu objeto de estudo um conteúdo intrinsecamente próprio, mas um domínio próprio (a educação), e um enfoque próprio (o educacional), que lhe assegurara seu caráter científico. Como todo cientista da área sócio-humana, o pedagogo se apóia na reflexão e na prática para conhecer o seu objeto de estudo e produzir algo novo na sistemática mesma da Pedagogia. Tem ele como intuito primordial o refletir acerca dos fins últimos do fenômeno educativo e fazer a análise objetiva das condições existenciais e funcionais desse mesmo fenômeno. Apesar de o campo educativo ser lato em sua abrangência, estritamente são as práticas escolares que constituem seu enfoque principal no seu olhar epistêmico. O objeto de estudo do pedagogo compreende os processos formativos que atuam por meio da comunicação e intercâmbio da experiência humana acumulada. Estuda a educação como prática humana e social naquilo que modifica os indivíduos e os grupos em seus estados físicos, mentais, espirituais e culturais. Portanto, o pedagogo estuda o processo de transmissão do conteúdo da mediação cultural que se torna o patrimônio da humanidade e a realização nos sujeitos da humanização plena. No plano das ideias, o grego Platão (427-347 a.C.) foi de fato o primeiro pedagogo, não só por ter concebido um sistema educacional para o seu tempo mas, principalmente, por tê-lo integrado a uma dimensão ética e política. Para ele, o objeto da educação era a formação do homem moral, vivendo em um Estado justo.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Verão

É impressionante a quantidade de andorinhas na minha rua desde domingo!

Diz meu pai que "uma andorinha só não faz verão", por isso essa quantidade toda! Estamos pegando fogo nesse verão!!!! hehehe

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Boas notícias

É tanta coisa pra fazer que resolvi não fazer nada, apenas me sentei no sofá para ouvir as Baladas de Chopin e colocar o assunto em dia aqui . Já ouvi a #1, agora escuto a #2, mas gosto mesmo é da #4.

O final de semana foi maravilhoso! Teve o famoso Almoço de Férias com churrasco do vô Pinheiro que, diga-se de passagem, é o melhor que já comi! A igreja estava lotada! Graças a Deus porque meu pai correu muito pra que isso acontecesse.

Adélio, Vô Pinheiro e Ronaldo

Graças a Deus também porque todo mundo ajudou! Todos estavam bem animados!!!




Tivemos um dia bem gostoso entre amigos!

Raquel, Ludi, eu, Raquel e Douglas

Ontem, o grupo vocal que agora faço parte, cantou numa formatura e foi muito divertido! Primeiro que só de estar com esse povo já é motivo de muitas risadas! (eles são muito bobos!) Segundo porque o culto foi ótimo! Diferente da maioria dos cultos de formatura que tenho ido.

I'm soooooooo happy!!! :)

domingo, 23 de janeiro de 2011

(re) Abrindo

Faz tanto tempo que não venho aqui. Estava com uma saudade...

Há tempo para tudo! E o tempo que passou não era tempo de bloguear. Isso foi bom! Mas agora é tempo de voltar a escrever e contar um pouco de mim e me descobrir mais. Quando escrevemos sobre nós, nos descobrimos.

Ano passado, 2010, me (re)descobri de forma maravilhosa! Uns dizem que foi obra do destino, mas eu digo confiante que foi obra de Deus! :)
Fui morar no Rio, cidade maravilhosa (e quente!!!), e por um "acaso" de Deus comecei a dar aulas de inglês pra cianças de 1 a 6 anos. Imagine só que aventura foi essa?! No início eu achei que nunca seria capaz, achava até que não tinha muito jeito com criança.



Comecei a lembrar de quando éramos ainda criança, eu e minhas irmãs mais novas (eu sou a mais velha, rs) e nossa brincadeira preferida era brincar de escolinha! Eu era a professora e a Débora era a diretora! Há! Colocávamos todos os alunos (ursinhos, bonecas, e até a Sarah que não tinha nem 1 ano!) sentados no chão e eu começava a falar tudo o que eu tinha aprendido na aula, o que na verdade eu estava é achando uma maneira divertida de estudar, decorar Ciências, Estudos Sociais, Português... chegamos até gravar algumas das aulas em fita K-7!!! Era o máximo!

Lembrei também dos tempos de escola dominical, dos acampamentos da MPC que vivi intensamente uma vida inteira, enfim, parecia até que eu tinha nascido professora!

Gostei tanto da coisa que acabei descobrindo que preciso fazer um curso de Pedagogia e me aprofundar nessa arte de ensinar.

E foi isso que eu fiz! Voltei pra Juiz de Fora, fiz o vestibular e dia 2 de fevereiro é meu primeiro dia de aula!!!

Me sinto como uma criança indo pra aula pela primeira vez, no jardim de infância!

É tão gostoso estudar aquilo que você gosta, não é verdade? Por um tempo achei que seria Administradora, foi minha primeira graduação. Tentei tanto, me esforcei pra gostar dos números, pra me parecer uma pessoa "séria" de terninho e tudo, há! :) Graças ao meu bom Deus que me abriu os olhos e me mostrou que minha vida, minha arte, seria muito mais feliz tomando outro rumo.

Estou feliz e espero compartilhar a minha saga rumo ao título de pedagoga com todos vocês! Vai ser uma aventura! Tenho certeza!!!!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

SOMOS DE DEUS

(Adaptado – Revista Ultimato Jan/Fev 2010 – PR Ricardo Barbosa)

Romanos 8.31,32 “Que diremos, pois, á vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?"

Vivemos um tempo em que é muito fácil perder o equilíbrio emocional e espiritual. Uma dificuldade que muitos cristãos enfrentam é aceitar a realidade e responder a ela apropriadamente. Nossas reações emocionais emergem da forma como pensamos sobre a vida e os acontecimentos. Não são as realidades externas que nos perturbam, mas o julgamento que fazemos sobre elas. Sobre tudo, a forma como cremos que Deus participa delas.

Paulo escrevendo aos Romanos apresenta quatro perguntas retóricas que nos ajudam a construir uma estrutura espiritual capaz de produzir em nós sentimentos e atitudes verdadeiros diante das diferentes situações e experiências. Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho... não nos dará com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? Quem nos separará do amor de Cristo?

Seja qual for o problema, o que estabiliza nossas emoções é a verdade de que “Deus é por nós”. O Deus criador de todas as coisas, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, é por nós.

Nossas respostas aos fatos não são determinadas pelos problemas, mas pelo julgamento que fazemos deles. Se julgarmos que uma provação tem o poder de nos afastar do amor de Deus, certamente nos afastará.

Fazer as perguntas que Paulo apresenta no texto acima não muda as circunstâncias, mas muda a forma como as vemos ou julgamos. Ao fazê-las, adquirimos uma perspectiva correta e amadurecemos nossos sentimentos.

Que Deus nos abençoe,

Pr. Luiz Fernando

Esperar

“Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”. Sl 40.1

Esperar. Como cansa esperar quando desejamos algo com urgência. A urgência nos inquieta a ponto de elevar a nossa ansiedade, e sobrecarregados de ansiedade os perigos são incalculáveis.
Mas somos desafiados a esperar, e esperar é a possibilidade de exercitar nossa fé.

“A fé também é provada quando o sentimento da presença de Deus se desvanece ou quando a própria mediocridade da vida nos faz questionar se nossas reações têm alguma importância. Pensamos: o que se pode fazer, que diferença faz meu pequeno esforço?” (Philip Yancei).
Um programa de televisão apresentou o depoimento de alguns sobreviventes da Segunda Guerra Mundial. Eles disseram: Um ficou sentado numa trincheira o dia inteiro; de vez em quando, passava um tanque alemão, e ele atirava. Para a maioria, o dia passou como qualquer outro na vida de um homem de infantaria na frente de batalha. Mais tarde, ficaram sabendo que tinham participado exatamente de um dos maiores e mais decisivos combates da guerra. Ela não pareceu decisiva para nenhum deles na ocasião, porque não tinham a visão geral do que estava acontecendo em outros locais.

“Grandes vitórias acontecem quando pessoas comuns executam as tarefas que lhes são designadas... Exercemos a fé cumprindo a tarefa que está diante de nós, pois temos controle apenas sobre nossas ações no presente momento” (Philip Yancei).

O salmista Davi nos estimula a esperar pelo Senhor – e sua descoberta é maravilhosa: “Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”.

Que Deus nos ajude,

Pr Luiz Fernando
Obs: Recebi essa palavra hoje do mau pai. Mal sabe ele que é exatamente isso que Deus tem tanto falado comigo...ah....como Deus é bom!!!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Natal de todas as luzes


Luz na rua, luz na praça, luz na janela, luz na árvore, luz no shopping, luz nos prédios.

É o natal, cada vez mais, de todas as luzes.

As cidades se enfeitam e o povo se diverte curtindo a metrópole iluminada.

Que pena que a luz na rua não dá direção à mente da menina abandonada que nela corre sem rumo.

Que pena que a luz na praça não dá lucidez ao bêbado caído no seu chão.

Que pena que a luz na janela não aquece o coração gelado da mulher traída que, nela debruçada, ainda chora a perda de seu grande amor.

Que pena que a luz na árvore não ilumina a mente daquele que destrói a natureza.

Que pena que a luz no shopping não faz a vida melhor do desempregado, que passeia por suas escadas rolantes, tentando explicar para os filhos mais um Natal sem presentes.

Que pena que a luz nos prédios não consegue penetrar nos lares do seu condomínio, levando esperança à casamentos próximos do fim.

Que bom saber que a luz do céu de Belém ainda brilha no coração de todo aquele que crê, trazendo direção, força, consolo e esperança.

Luz que não faz apenas o brilho da festa, mas que pode transformar em festa o seu coração.

Marcelo Gualberto, Diretor Nacional da MPC

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Todo mundo tá feliz?!

Por: PavaBlog

Meus versos




Que musica linda....

Shedd: Quer prosperidade? Então peça um câncer a Deus!


Russell Shedd é um dos maiores “pensadores” da igreja na atualidade. Nasceu na Bolívia, foi criado nos Estados Unidos e tem passagem por diversos outros países como Alemanha, Inglaterra, Portugal, Escócia etc, onde estudou, ministrou palestras ou desenvolveu algum trabalho na obra de Deus. Formou-se em teologia no ano de 1949 pelo Wheaton College, fez mestrado em estudos do novo testamento no Faith Seminary, em Philadephia e aos 25 anos adquiriu o título de Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo na Escócia. Casou-se em 1957, e teve 5 filhos. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Fundou a Editora Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. Dr. Russel Shedd é também missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil desde 1962. Tem colocado seu pensamento a disposição do público através da boa literatura que não pode faltar na biblioteca de um bom leitor. Entre suas obras publicadas estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia, Disciplina na Igreja, A Escatologia do Novo Testamento, A Solidariedade da Raça, Justificação, A Oração e o Preparo de líderes cristãos, Fundamentos Bíblicos da Evangelização, Teologia do Desperdício e Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus. Além disso, Russel Shedd se notabilizou mormente pelos comentários da Bíblia que leva seu nome na capa: Shedd.
Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel
RGG – Uma pergunta trivial, mas que o público quer saber: Qual a sensação de ter uma bíblia com o seu nome?

SHEDD – Bastante constrangimento e até vergonha, porque eu não autorizei que utilizassem o [meu] nome. Quando eu sai da [editora] Vida Nova, passei para um senhor, [chamado] Dr. Alan, que não está mais no país. Ele logo começou a reformular a Bíblia Vida Nova e a transformá-la na Bíblia Shedd. Ele me falou antes de colocar o nome que iria colocar o [meu] nome, e eu disse: Não, você não pode fazer isso! Não autorizei. Mas, quando saiu já estava o nome lá, e não somente em letras pequeninhas, lá embaixo, mas, em letras enormes (risos). É um constrangimento constante, meu irmão.

RGG – Que razão o senhor atribui a esta diminuição do número de cristãos pela qual países como Inglaterra, França, Alemanha, enfim… este achatamento que toda a Europa está passando, atualmente? Países que chegaram ter 40% de sua população evangélica, sobretudo depois da reforma, sob a influência dos calvinistas, e hoje tem 0,5%, 1%, 2% no máximo?

SHEDD – Certo. A razão disso é a maneira como os pastores foram preparados nas universidades. Homens, lecionando matérias do seminário na universidade… Por exemplo, em toda a Europa os pastores são preparados em universidades e os seus professores são incrédulos. Então, um jovem que quer servir a Deus, logo perde sua fé, e logo está pregando uma palavra, sem Deus, sem fé, sem bíblia, porque não crê.

RGG – O senhor fala em uma de suas entrevistas que na Alemanha, por exemplo, igrejas estão adotando uma cláusula exigindo que o pastor seja crente?

SHEDD – Exatamente. Na igreja do meu genro e filha [...] Eles trabalham com duas igrejas lá em [Ruíte] perto de “Sttutgart” e… quando ele fazia parte do conselho da igreja, colocaram esta cláusula exigindo que o pastor, desta igreja, fosse crente.

RGG – O senhor acha que o cristianismo está condenado a países economicamente necessitados, fazendo prevalecer aquela máxima: “O número de igrejas evangélicas é diretamente proporcional a quantidade de problemas de uma nação”?

SHEDD – Em parte, isso é verdade. Jesus já mostrou que a pobreza, a necessidade, é uma pressão muito forte a busca de Deus. Na medida em que alguém como aquele holandês, em Amsterdã, 2000, falou: Por que eu preciso de Deus? Eu tenho tudo que eu quero na vida. [...] com a falta de crer que existe uma vida posterior a esta, que haja um juízo da parte de Deus, tais pessoas olham para esta vida, como uma única. Uma vez que a gente tem tudo que quer nesta vida, por que é que se vai precisar fazer esforço para conhecer a Deus ou fazer a vontade dEle?

RGG – Teologia da prosperidade. Hoje pela manhã, o senhor falou que se um crente quer prosperidade, então deve pedir um câncer a Deus. Em outras palavras o senhor quis dizer “morte com salvação é a verdadeira prosperidade. Foi isso mesmo ou não entendi bem?

SHEDD – Não, foi isso mesmo! (risos). Quero dizer a prosperidade que a bíblia garante para os crentes é na vida vindoura, é nos galardões que à receberemos. Paulo diz em II Coríntios 4, que a “Glória futura está diretamente ligada ao sofrimento nesta vida”. Se a gente quer glória na vida vindoura, [devemos] esperar sofrimento nesta vida, especialmente, o sofrimento da perseguição. [II Coríntios 4:16]. Deixe me ler este versículo porque eu creio que os leitores vão querer saber o que a bíblia diz, exatamente, sobre prosperidade. “Por isso, não desanimamos, embora, exteriormente estejamos a desgastarmos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia. Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos (e Paulo sofreu muito, nós não chamaríamos de leves) estão produzindo para nós uma “glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê, é eterno”..

RGG – Até onde esta teologia da prosperidade terrena é saudável? Explicando melhor, todos nós queremos alguma coisa. Um carro novo, uma casa maior, um emprego melhor… mas afinal de contas, pedir estas coisas para Deus, é saudável?

SHEDD – Seria saudável apenas se pudessemos glorificar a Deus mais. A ordem bíblica é que a glória de Deus está vinculada a tudo que nós fazemos, ou deveria estar. Então, quer bebamos, quer comamos ou façamos outra coisa qualquer, façamos para a Glória de Deus. Qualquer benefício ou vantagem que Deus nos dá nesta vida seria justamente para nós glorificarmos a Deus, mais. Só que muitas vezes nós fazemos o contrário.

RGG – Não é para usufruirmos destes benefícios, então?

SHEDD – É para nós glorificarmos à Deus, naturalmente, abençoando outras pessoas. Porque se é para fazermos boas obras, se é para abençoarmos pessoas, se é para sustentarmos missionários, é preciso alguém ou alguma coisa para fazer isso. Portanto o que nos beneficia e nos abençoa seria re-utilizado para glória do Senhor.

RGG – Qual a sua opinião sobre a literatura brasileira cristã? Há material de boa qualidade ou ainda estamos muito distantes de países como Estados Unidos e outros países de primeiro mundo, neste aspecto?

SHEDD – Talvez o problema maior que nós temos aqui, é que as pessoas que escrevem, raras vezes, tem lido muita coisa. Quero dizer, não tem muita consciência da história da igreja. Eles não tem lido outros autores, como os puritanos, não tem muito conhecimento de Jonathan Edwards, não tem conhecimento de homens como Spurgeon. Estes livros estão chegando agora [em português]. O resultado é que quando eles escrevem, a impressão que a gente tem, é de algo um pouco raso, isto é, não muito profundo. Raras vezes, eles tem conhecimento das línguas originais para fazer uma exegêse adequada. Isto não é em todos os casos, mas apenas em alguns, é claro.

RGG – Quais os grandes pensadores da literatura e da igreja brasileira nos nossos dias. O senhor poderia citar algum pelo qual o senhor tem admiração?

SHEDD – Claro, seria fácil. Simão Luiz Sayão, Carlos Osvaldo Pinto da Palavra Vida, Augustus Nicodemus, Antonio Carlos lá da igreja da Barra. Ele é um estudioso e pensador. A escola dos pastores, em Niterói… e, outros irmãos desta estirpe. Graças a Deus, que… Deus tem os seus líderes aqui… e pensadores… Fiquei muito contente em ler a biografia de Tonica Vandermeer, missionário entre os Angolanos, durante tantos anos… Sofreu muito, mas foi muito usado. Talvez o herói que mais se destaque aqui é Ronaldo Lidório, um verdadeiro pensador, estudioso, e um homem muito sacrificado para glória de Deus.

RGG – O senhor aconselharia alguma universidade no exterior especialmente para os alunos que estudam teologia e gostariam de aprofundar seus estudos, futuramente? Ou o senhor acha que existem universidades boas no Brasil para mestrado e doutorado?

SHEDD – Tem algumas escolas boas aqui. Eu recomendaria, por exemplo, a Mackenzie. Dá pra fazer doutorado lá. Deixe me ver outra escola aqui que talvez a gente poderia recomendar… Para mim é muito mais fácil lembrar de escolas americanas, onde Jesus Cristo e a bíblia são honrados e [os professores] pessoas de bastante conhecimento. Então, depende se a pessoa tem possibilidade de fazer um curso lá. Ahmn… No Trinity Divinity School, no Gordon-Conwell Theological Seminary, Denver Seminary, no Beeson Divinity School. São várias escolas de alto nível. Tem escolas na Inglaterra, também, que estão vinculadas as universidades de Cambridge e Oxford. Há excelentes cursos lá que a gente pode fazer de doutorado…

RGG – Existe uma pesquisa, inclusive citada neste seminário, que os programas televisivos da Igreja da Graça e Reino de Deus, amplamente divulgados em todo o Brasil tem provocado um efeito migratório de pessoas já membradas em outras igrejas. Isto é, grande parte das pessoas que lá estão já eram evangélicas. A mídia poderia ser melhor utilizada, ou este poder de crescimento é inerente a potência do veículo? A mídia pode ser utilizada para colocar em prática o “Ide e pregai o evangelho a toda a criatura” Ou este “IDE” é presencial e não virtual?

SHEDD – Não há duvida que a mídia é muito útil para chamar a atenção das pessoas de sua necessidade em Cristo. Mas como a mídia está interessada em IBOPE, é quase impossível que ela se vincule e dê mais atenção a mudar pessoas perdidas e trazê-las para Cristo. Agora tem uma exceção nestes programas. É o do Fausto Rocha. O canal dele tem uma forte ênfase na evangelização. Mas, o que foi falado representa a grande maioria. Record, RR Soares gastam muito tempo na televisão, e não falam, pelo menos não abertamente, que eles estão tentando evangelizar e levar pessoas à Cristo.

RGG – Gostaria de obter a sua opinião sobre a Igreja Lakewood Community, localizada em Houston Texas/USA. Sabemos que é uma igreja de proporções gigantescas, que tem se destacado pela sua proeminência e por levar o evangelho só nos Estados Unidos para mais de 225 milhões de pessoas. Além disso, os cultos são transmitidos para mais de 150 países, por emissoras e redes de televisão. O pastor-chefe da igreja, Sr. Joel Osteen, reconhecido mundialmente pela sua simpatia e eloqüência no palco, tem um livro intitulado “Sua melhor vida agora” que o possibilitou circular no topo da lista do mais famoso jornal americano The New York Times. Simplesmente o #1 Dos Estados Unidos, por meses consecutivos. Enfim… Muito tem se falado. Críticas, Elogios… Agora, gostaria de obter a visão de um especialista.

SHEDD – Eu não o conheço, pessoalmente. Tenho visto na televisão, lá. Não sei muito bem todas as ênfases que ele tem. É um fenômeno, realmente, fora do comum! Está tomando um espaço muito impressionante. Eu não chegaria à dizer que é uma coisa negativa até agora. Gostaria de esperar para ver o efeito positivo que isso vai ter na América, porque é um país que ainda tem muita coisa negativa, em relação ao liberalismo… igrejas estão vazias, especialmente no nordeste do Estados Unidos. A América é bem dividida em áreas que nós chamamos de “Bible Belt” (Cintura de Bíblia). e… tem outras áreas que são bem distintas.

RGG – Nos anos 60 as denominações se dividiram, sobretudo, por causa do pentecostalismo. Desenvolveram posições opostas, e hoje, muitas procuram obter a união através do que chamamos de Ecumenismo? Qual a sua opinião sobre o Ecumenismo?

SHEDD – Depende inteiramente de “que tipo de ecumenismo”?

RGG – Principalmente o ecumenismo entre as religiões pentecostais e neo-pentecostais, é claro. Não este ecumenismo entre islamismo, budismo, enfim…

SHEDD – Eu estaria com uma atitude muito negativa para qualquer ecumenismo que junta crente com não crente. Dentro do próprio cristianismo, pessoas que realmente se vinculam ao Senhor Jesus como seu único e suficiente salvador, que colocam a bíblia como a palavra de Deus, inspirada por Deus, qualquer união que possa existir entre eles, normalmente, seria positiva. Claro, tem certas práticas que a gente não favorece. Portanto temos ver que união teria beneficio, e qual seria negativa. É complicado generalizar, neste ponto.

RGG – Todos os crentes devem admitir que ler a bíblia é extremamente importante. Mas, em um país como o Brasil em que o índice de analfabetismo funcional é de 74% da população, isto é, apenas 26% do povo brasileiro possui pleno domínio da leitura e interpretação de textos, como fica o entendimento da bíblia? Não seria um ler por ler?

SHEDD – Certamente. Mas Deus é maravilhoso… Porque através de seu espírito Ele ilumina as vidas. Tem pessoas que tem aprendido a ler só olhando para o texto bíblico. Eu conheci pelo menos um irmão que pediu a Deus, especialmente, capacidade para ler, e começou a ler a bíblia e não podia ler outra coisa, só a bíblia!

RGG – Eu sei que o senhor não é favorável a esta visão do “intitular-se apóstolo”. Eu gostaria de obter a sua opinião sobre isso. Biblicamente falando, existe algum erro em utilizar esta titulação?

SHEDD – Bem, a bíblia nos fala de dois tipos de apóstolos. O problema é o significado desta palavra. [Apóstolo] significa o que tem plena autoridade da pessoa que lhe enviou. Apóstolo é enviado. Portanto quando Paulo diz: “Eu sou apóstolo de Jesus Cristo”, ele esta dizendo, que tem autoridade para falar em nome de Cristo. Então, qualquer pessoa, hoje, que se intitula apóstolo esta se colocando na posição do Papa. Está falando no lugar de Cristo. Já que esta não é a idéia que alguns destes apóstolos tem, talvez não tenham estudado o significado da palavra; talvez eles estão pensando que são apóstolos do tipo de (EPAFRODITO). [ Filipenses 2:25 ] Esta palavra fala do apostolo da igreja de Filipos. Então tem esse dois tipos. Talvez esses são apenas apóstolos de igrejas, tem a autoridade da igreja, ou autorização para falar em nome da igreja deles, não de toda a igreja de Cristo, obviamente, mas só deles.

RGG – Política e religião. O senhor é contra ou a favor de políticos crentes no poder? O senhor acha que políticos cristãos podem mudar a nossa nação ou não se atreveria a ser tão positivista, assim?

SHEDD – Depende do político obviamente (risos). Alguns políticos tem sido uma benção. Fausto Rocha é um deles e tem outros; agora o grande problema é a tentação que a política cria. [É necessário] fazer vínculos com pessoas não crentes, isso normalmente significa rebaixar seu compromisso com a palavra, seu compromisso com a verdade, e assim por diante. Tem que incluir-se na mentira, que muitas vezes a política usa só pra ganhar.

RGG – E pra gente acabar esta entrevista um recado para o nosso povo Brasileiro, em especial para o Estado do Rio Grande do Sul.

SHEDD – A minha palavra é: O Brasil é um país que a gente ama muito. Estamos aqui há quarenta e tantos anos, e tem sido pra mim uma verdadeira indicação do Senhor. Eu vim de Portugal e pretendi nos primeiros anos, voltar para Portugal, mas eu tenho dado muitas Graças a Deus, pelo privilegio de ter duas filhas que nasceram aqui, de continuar vivendo aqui, quero morrer aqui, e não tenho outro plano. E que Deus abençoe este país porque tem muita coisa favorável aqui. Quando a gente fala, assim, com criticas, nós deixamos de falar das coisas que são muito positivas, em comparação com outros países, inclusive do primeiro mundo. Agora para o Rio Grande do Sul, nossa palavra é uma esperança de que este estado possa ser abençoado, com homens de Deus, que vão pregar e evangelizar de tal modo que não vai demorar para que este estado possa ter muitas igrejas novas e crescentes. Deixara de ser um estado com alto índice de bruxaria, macumbaria, para ser um estado que tem DEUS como seu verdadeiro centro.

Fonte: Oziel Alves | Portal Diante do Trono